No último sábado (16), após 12 anos, uma das séries mais queridas da última década chegou ao seu episódio final. Lançada em 2014 e disponível no Disney+, Outlander conquistou uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo que, agora, estão divididos entre o sentimento agridoce do fim e a sensação de que, inevitavelmente, ficou faltando alguma coisa.
Baseado na obra da autora norte-americana Diana Gabaldon, o primeiro livro da série (que até o momento conta com nove obras lançadas e alguns contos) foi originalmente publicado em 1991 e atualmente é publicado no Brasil pela Editora Arqueiro.
Em A Viajante do Tempo, conhecemos os protagonistas Jamie (Sam Heughan) e Claire (Caitriona Balfe), que, ao longo de inúmeras páginas, 8 temporadas e 101 episódios, viveram de forma intensa uma história de amor que desafia completamente a lógica do tempo.
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Ritmo arrastado e pontas soltas: onde a última temporada de Outlander errou?
É um fato entre os fãs que a qualidade da série já vinha dando uma decaída desde a sexta temporada, quando a produção começou a dar cada vez mais foco para a Guerra de Independência Americana do que para os próprios personagens, muitas vezes esquecendo-se dos protagonistas que fizeram de Outlander a história incrível que ela é.
Outro ponto que também, no decorrer das temporadas, foi alvo constante de críticas era o uso repetitivo de cenas de abuso como recurso narrativo. Talvez seja por isso que, mesmo sentindo que em partes o último episódio entregou o que eu, como fã, esperava, ainda sinto que essa última temporada não foi digna da grandiosidade de Outlander.
A temporada foi arrastada e com diversos acontecimentos que, em retrocesso, não agregaram em nada à narrativa principal. Só deixaram o final corrido e, claro, com algumas pontas soltas. A meu ver, arcos como o de William (Charles Vandervaart) com Amaranthus (Carla Woodcock) foram totalmente desnecessários, pois só consumiram tempo de tela que poderia ter sido melhor aproveitado para responder às perguntas que há várias temporadas estavam sem respostas.
O arco de Faith Fraser, filha falecida de Jamie e Claire que tinha tudo para ser emocionante, se resumiu a um único episódio e não empolgou, mesmo com a atuação maravilhosa do elenco, incluindo Florrie May Wilkinson, que passou a fazer parte da série no final da sétima temporada interpretando a gentil Frances “Fanny” Pocock.
O fantasma da profecia e a inesperada apatia de Claire e Jamie
A única coisa que parecia clara desde o começo da última temporada era a morte de Jamie Fraser. O fantasma da despedida do grande protagonista pairava em todos os episódios, e acredito que seja justamente por conta disso que senti tanta falta de Jamie e Claire aqui.
Um dos acertos da temporada, que pode até soar como um modo de Frank Randall (Tobias Menzies) se fazer presente nos episódios finais, foi o livro que Brianna (Sophie Skelton) trouxe para Jamie quando voltou do futuro com Roger (Richard Rankin) e os dois filhos do casal.
Não que eu goste do Frank, mas ele teve um papel importante nas primeiras temporadas, e o livro escrito por ele, que detalha a batalha final na qual Jamie morre, pode tanto ser visto como um presente quanto como uma maldição. Afinal, a data está lá, gravada em um livro escrito no século XX. Se a intenção dele ao pesquisar e registrar a história de Jamie com tanta profundidade foi uma tentativa de salvá-lo por meio de Brianna ou apenas para punir Claire, nunca saberemos.
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E, embora Jamie tenha se apegado ao livro e o relido diversas vezes, Claire, em um primeiro momento, se manteve descrente, até que todas as peças começassem a se encaixar conforme Frank tinha descrito. Mas nem isso pareceu ser suficiente para a personagem sair da apatia.
Claire passou grande parte da temporada apagada e, apenas nos dois últimos episódios, voltou a ser a mulher que conhecemos e admiramos tanto ao longo dos anos. Quando ela se juntou a Jamie e a William (que, na prorrogação, enfim amadureceu) para salvar John Grey (David Berry), ali, após oito episódios, a grande protagonista da série apareceu novamente.
Jamie, que sempre foi um personagem mais passional, desta vez estava mais contido, talvez por conta de sua morte profetizada estar a cada dia mais iminente, ou por ser a forma que a produção encontrou de retratar o amadurecimento dos personagens. Só que uma coisa é certa: para uma última temporada, Outlander deixou muito a desejar.
O adeus a Fraser’s Ridge: o que funcionou (e o que faltou) no final de Outlander
Mesmo insatisfeita com a última temporada, eu sabia que ia chorar. E dito e feito: quando a abertura apresentada foi a da primeira temporada, meus olhos já se encheram de lágrimas e pensei: “É isso, hoje vou me despedir definitivamente de Jamie e Claire”.
O último episódio foi agridoce porque, por um lado, a série entregou o que nós, fãs, esperávamos de Outlander; por outro, ainda faltaram respostas. Muitos personagens nem sequer apareceram no episódio final, sendo apenas citados, e faltou emoção na despedida de Brianna e Jamie.
O diálogo entre os dois em si é muito bonito, mas a execução da cena deixou a desejar. Além disso, para um episódio final, achei-o muito curto e apressado, tanto que uns trinta minutos a mais teriam feito toda a diferença, pelo menos para amarrar melhor alguns elementos que ficaram soltos.
Mas é inegável que os pontos mais altos desse último episódio foram Claire e Jamie. As conversas finais, a declaração de amor antes da batalha, eles e nós, fãs, feitos de bobos por alguns minutos antes de tudo desmoronar, e a ligação deles se mostrando como o grande alicerce de Outlander no fim.
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O flashback contando a história de amor dos dois foi lindo e um presente para quem os acompanhou por mais de uma década. Foi emocionante assistir à explicação da cena da primeira temporada, na qual o fantasma de Jamie observava Claire pentear os cabelos pela janela.
Foi a cena que deixou o meu coração quentinho e, ao mesmo tempo, em pedaços, pela beleza com que tudo foi bem amarrado e pela essência da história que se fez presente. Porque, no fim, Outlander sempre foi sobre isso: sobre um amor tão grande, capaz de romper e desafiar o véu do tempo.
Lembrando que o décimo livro ainda não foi lançado, o que significa que pode haver mudanças entre o final da série e o final literário. Além disso, alguns fãs acreditam que muitas das respostas não dadas aqui possam ser respondidas no spin-off Blood of My Blood, também disponível no Disney+, cuja segunda temporada tem previsão de estreia para o segundo semestre de 2026. Outlander também está disponível na Netflix, mas a última temporada pode demorar um pouco mais para chegar ao streaming.
E você, acompanhou a saga de Jamie e Claire? Se sim, compartilhe aqui nos comentários ou em nossas redes sociais o que achou do final. Até a próxima!
