Um protesto organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) travou o trânsito na região do campus da universidade na manhã desta terça-feira (12). A manifestação aconteceu na rotatória de acesso pela Avenida Guilherme Campos e provocou congestionamento em importantes vias do entorno – entenda abaixo.
Por volta das 7h, o trânsito estava completamente parado. Os manifestantes fecharam uma das entradas da universidade e o congestionamento atingiu a Avenida Guilherme Campos, o acesso da Rodovia Dom Pedro I e o balão da Avenida Adolfo Lutz.
O bloqueio afetou também os acessos à PUC-Campinas e ao HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp. Viaturas da Polícia Militar acompanharam o protesto no local.
Os manifestantes liberavam o trecho em alguns momentos e depois voltavam a bloquear a via.
Por volta das 9h, a concessionária Rota das Bandeiras informou que o trânsito havia sido liberado na avenida.
Motoristas reclamaram que o trecho bloqueado é um dos principais acessos para a área da saúde da universidade.
Segundo relatos, havia pessoas com consultas, exames e até cirurgias agendadas no Hospital de Clínicas da Unicamp que tiveram dificuldades para chegar ao local.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Campinas e região por meio do WhatsApp do acidade on Campinas: (19) 97159-8294.
O que motivou a manifestação na Unicamp?
Segundo informações divulgadas pelo Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp, a mobilização contou com uma panfletagem no início da manhã e um ato marcado para as 9h.
Alunos e trabalhadores da USP, Unesp e Unicamp estão em greve por melhorias na permanência estudantil, estrutura das universidades e benefícios.
O Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp reivindica:
- reajuste em benefícios como vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-saúde;
- garantia de recursos para progressões;
- implementação do “Descongela Já” e pagamento de retroativos;
- e critica a falta de diálogo na aprovação da autarquização da Área da Saúde.
O sindicato afirma ainda que protesta contra a falta de investimentos nas universidades públicas estaduais, além de uma perda salarial superior a 15% desde 2012.
Outro ponto criticado pelos trabalhadores é a autarquização do Hospital de Clínicas da Unicamp.
Segundo o sindicato, os trabalhadores esperam retomar as negociações com o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas). Ainda de acordo com o sindicato, a reitoria informou que uma nova reunião de negociação foi marcada para quinta-feira (14).

O que diz a Unicamp

Procurada, a Reitoria da Unicamp informou que mantém diálogo contínuo com entidades estudantis e direções das unidades de Campinas e Limeira e reafirmou o compromisso com a busca de soluções consensuais.
Sobre os salários, a universidade afirmou que segue negociando com as lideranças e busca garantir “o melhor desfecho possível para preservação dos direitos e das atividades acadêmicas”.
A respeito da autarquização, a reitoria informou que a mudança foi aprovada pelo Conselho Universitário, composto por professores, estudantes e funcionários, e que o projeto foi encaminhado ao Governo do Estado.
A universidade também afirmou que prioriza o aprimoramento das políticas de permanência estudantil, incluindo moradia, transporte e auxílios.
“A Administração Central prioriza o aprimoramento das políticas de permanência, incluindo moradia, transporte e auxílios, por entender que o suporte ao estudante é fundamental para a manutenção da excelência e da qualidade do ensino que caracterizam a instituição. Estudos contínuos seguem em pauta para viabilizar melhorias no âmbito das possibilidades orçamentárias”,
afirmou em nota.
A reitoria destacou ainda que valoriza o ambiente acadêmico, prezando pela segurança jurídica e pelo desenvolvimento das atividades com rigor técnico e pedagógico.
LEIA TAMBÉM: Até quando vai o frio? Veja previsão do tempo para os próximos dias
Veja a nota completa:
“A Reitoria da Unicamp informa que mantém diálogo contínuo com as entidades estudantis e direções das unidades do campus de Limeira (FCA/FT) e de Campinas reafirmando o compromisso com a busca de soluções consensuais.
A Administração Central prioriza o aprimoramento das políticas de permanência — incluindo moradia, transporte e auxílios — por entender que o suporte ao estudante é fundamental para a manutenção da excelência e da qualidade do ensino que caracterizam a instituição. Estudos contínuos seguem em pauta para viabilizar melhorias no âmbito das possibilidades orçamentárias.
A Reitoria reitera que valoriza o ambiente acadêmico, prezando pela segurança jurídica e pelo desenvolvimento das atividades com o rigor técnico e pedagógico necessários à formação de seus alunos.
A Reitoria da Unicamp informa que as negociações com as lideranças do Fórum das Seis seguem em curso, reafirmando o compromisso da Universidade com o diálogo transparente e construtivo.
Neste sentido, comunicamos que um novo encontro entre os representantes do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e das entidades sindicais será realizado na próxima quinta-feira, dia 14 de maio, em São Paulo.
A Unicamp reitera que preserva e respeita os princípios fundamentais da democracia e do debate institucional. Informamos ainda que as atividades essenciais da Universidade transcorrem normalmente.
A Reitoria permanecerá empenhada no processo de negociação, buscando garantir que o desfecho seja o melhor possível para a preservação das atividades acadêmicas e para o conjunto da comunidade universitária.”
Protesto também cita ação da PM em ato na capital
Além das reivindicações salariais e estruturais, o grupo também protestou contra a violência registrada durante uma manifestação realizada na segunda-feira (11), em frente à Secretaria Estadual da Educação, na região central de São Paulo.
Na ocasião, a Polícia Militar utilizou bombas de gás para dispersar os manifestantes, e houve confusão envolvendo os vereadores Rubinho Nunes e Adrilles Jorge, ambos do União Brasil.
O protesto reuniu estudantes e profissionais da USP, Unesp e Unicamp em greve. Os participantes cobravam a retomada das negociações com o reitor da USP, Aluísio Segurado, além de melhorias nas políticas de permanência estudantil, aumento de bolsas, reforma das moradias universitárias e manutenção da estrutura dos campi.
Receba notícias do acidade on Campinas no WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o link aqui!
Ocupação da USP terminou com ação da PM
Na madrugada de domingo (10), a Polícia Militar retirou estudantes que ocupavam a Reitoria da USP, no campus do Butantã, na Zona Oeste de São Paulo.
Segundo relatos de alunos, os policiais utilizaram escudos, cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo durante a operação, realizada sem aviso prévio.
O DCE (Diretório Central dos Estudantes) da USP afirmou que diversos estudantes ficaram feridos e que quatro alunos foram levados ao 7º Distrito Policial, na Zona Oeste da capital.
A Reitoria da USP informou que a desocupação ocorreu sem comunicação prévia à universidade e lamentou os episódios de violência registrados durante a ação policial.
“A USP repudia que a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias e reforça que continuará atuando com responsabilidade institucional, buscando a pacificação do ambiente universitário”,
declarou.
Por meio de nota, a PM afirmou que 150 pessoas foram retiradas da reitoria e que a ação não teve feridos e foi gravada por câmeras operacionais portáteis dos policiais.
Segundo a polícia, “eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”.
“Após a desocupação, uma vistoria no espaço constatou os danos ao patrimônio público, entre eles a derrubada do portão de acesso, portas de vidro quebradas, carteiras escolares danificadas, mesas avariadas e danos à catraca de entrada. No local, também foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes, como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes”,
disse a corporação.
“A Polícia Militar afirmou que os quatro estudantes foram detidos por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após a qualificação, elas foram liberadas. A Polícia Militar ressalta que o policiamento segue no local para garantir a ordem pública e a integridade do patrimônio público”,
afirmou.
*Com informações da EPTV Campinas
O post Qual o motivo da manifestação na Unicamp que travou o trânsito na Guilherme Campos e na Dom Pedro? apareceu primeiro em ACidade ON Campinas.
