Ferrari F40, Porsche Carrera GT, Lamborghini Miura, Lancia Stratos, McLaren F1 GTR, Lotus 98T de Ayrton Senna, vários Bugatti pré-guerra, Restomods modernos, compra e venda de peças e muitos outros carros colecionáveis, de todos os tipos, tamanhos e preços que você pode imaginar – e alguns que você até nunca imaginou mesmo. Esse é o Retromobile, o maior evento do mundo para carros clássicos, colecionáveis, únicos e, a partir deste ano, supercarros modernos, que aconteceu em Paris, na França, entre os dias 28 de janeiro e 1o de fevereiro.
O Retromobile surgiu em 1976, quando um grupo de franceses percebeu que o hobby de ter e cuidar de carros antigos começava a crescer na Europa. Daí surgiu o encontro dedicado não só à exposição dos carros, mas também ao comércio das raridades, bem como de peças de reposição e acessórios. Curioso imaginar que os carros zero-km vendidos na época da criação do Retromobile são exatamente alguns dos que são os mais cobiçados na feira atualmente. Em 1976, o antigomobilismo era baseado principalmente em modelos de antes da Segunda Guerra Mundial.
Hoje em dia, é o principal Salão para carros clássicos do mundo, recebendo 180.000 pessoas na edição deste ano, que comemorou 50 anos de vida.
A principal movimentação no Retromobile é em torno das lojas e revendedoras que levam seus acervos e estoques de vários pontos da Europa para Paris. É nesses estandes que aparecem modelos do naipe de diversas Ferrari 250 GT – eram pelo menos 12 espalhadas pelos pavilhões em muitas variações. Além dos carros citados no início desta reportagem, o desfile de joias sobre rodas passa por Ferrari F50, Enzo, Mercedes-Benz 300SL, BMW 507 Roadster, Jaguar E-Type, Bentley Six e outros tantos icônicos modelos que a grande maioria das pessoas só viu através de páginas de revistas.

Também há espaço para máquinas ainda mais exclusivas. Daquelas que são modelos que só tiveram uma unidade produzida ou são absolutamente únicos, como o Mazda 787B, vencedor de Le Mans em 1991, McLaren F1 GTR FINA e até uma exposição especial dos sete BMW Art Cars que participaram das 24 Horas de Le Mans. Outro destaque era a Lotus 98T com a qual o piloto brasileiro Ayrton Senna correu dez e venceu duas corridas, em 1986.
Para quem quiser negociar
É também nesses estandes que acontece a principal função e o diferencial do Retromobile: ser um grande galpão de compra e venda de carros clássicos. Quase tudo em exposição está à venda para quem tiver o apetite (e saldo bancário) necessário. Desde os milhões de euros de uma Ferrari F40 e da Lotus de Senna – estimada entre 10 e 12 milhões de euros – aos 10.000 euros em um lindo Fiat Panda 4×4.

Os clássicos “normais”, digamos assim, aliás, são outra das grandes atrações do Retromobile. Nas lojas chiques, há modelos mais baratos em impecável estado de conservação, como exemplares de Austin e Mini Cooper, Mercedes-Benz SL (R107), BMW Série 3 (E30) e etc. E ainda há um pavilhão inteiro dedicado à chamada “Zona de Carros até 30.000 Euros”, onde todos os carros que estão à venda ficam abaixo dessa faixa de preço, cerca de R$ 180.000. Nesse espaço, o estado de conservação piora um pouco, mas a exclusividade e as peças únicas continuam lá.
Em uma rápida passada de olhos, havia carros como um Volkswagen Golf Country Mk2, Renault 25 V6 Turbo Baccara e um Peugeot 106 Le Mans. Todos raros e à disposição para quem quiser negociar e barganhar.

Além dos veículos, uma característica que é intrínseca ao Retromobile desde a sua fundação, em 1976, é a presença e a paixão da comunidade que respira o antigomobilismo. São diversos estandes dedicados a clubes de todo tipo de carro possível. Do francesíssimo e nichado Clube do Peugeot 405 Coupé ao mais universal Alfa Romeo Classic Club.
Outro espaço que faz parte do Retromobile desde o início é um imenso mercado de compra e venda de peças de reposição. São dezenas de lojas e estandes especializados, com todo tipo de peça que você pode estar procurando, um excelente serviço para qualquer um que já tentou consertar um carro antigo e perdeu horas procurando em sites especializados uma bomba de combustível de um Renault Twingo 2000, por exemplo.

Em uma época em que os salões das novidades ao redor do mundo sofrem para se manter relevantes, o Retromobile mostrou sua força ao inaugurar duas novas iniciativas nesta edição de 2026. A primeira foi o leilão de estreia da casa americana Gooding Christie’s, que levou para Paris um lote de 83 carros exclusivos e que teve uma Ferrari 288 GTO de apenas 1.500 km rodados como grande estrela, arrematada por 9,1 milhões de euros.
A outra novidade foi o Ultimate Supercar Garage, um pavilhão separado e dedicado aos supercarros atuais. Lá, a Bugatti fez a apresentação mundial do FKP Hommage, uma versão única e de despedida do Veyron, mas com as tecnologias do Chiron Super Sport. A nova área tinha a presença oficial de marcas de grande porte exibindo sua linha completa atual, como Aston Martin, Lamborghini, Ferrari, Pagani, Bentley e Lotus. E também de marcas menores que aproveitavam o apetite dos multimilionários para apresentar máquinas de pequena produção, como o Eccentrica V12 e o Bertone GB110.

O que movimenta e faz acontecer o Retromobile – dos 50 milhões de euros arrecadados no leilão da Gooding Christie’s aos 9.500 euros em um Fiat 500 Giardiniera ou até os 20 e poucos euros de uma miniatura de um “simples” Citroën C3 – é a paixão pelo automóvel, mantida pelos aficionados. O Retromobile ensina para qualquer um de seus visitantes que carro clássico até pode ser peça de museu. Mas é muito mais legal se não for.
