
A inflação nos Estados Unidos está preocupando a autoridade monetária, e isso tem feito com que uma possível alta nos juros norte-americanos volte ao radar do Federal Open Market Comittee (FOMC), o comitê de política monetária do Federal Reserve, equivalente ao Banco Central.
A ata da decisão de juros referente ao final de abril indicou que a quase totalidade dos membros do comitê observou um aumento no risco de a inflação permanecer acima da meta por um período prolongado. Segundo Andressa Durão, economista do ASA, a combinação desse risco inflacionário com as incertezas ligadas à duração e aos impactos do conflito no Oriente Médio pode exigir que a postura atual da política monetária seja mantida. A especialista aponta que o próximo gráfico de pontos do Fed não deve mais prever cortes de juros para este ano.
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O documento apresentou um tom considerado mais hawk (duro) pelo mercado. Cláudia Moreno, economista do C6 Bank, destaca que a maior parte dos participantes do comitê ressaltou a possível necessidade de aumentar a taxa de juros caso a inflação continue persistentemente acima dos 2%.
O problema, segundo Moreno, é que a inflação já roda acima dessa meta há muitos anos, em parte devido a um choque de oferta gerado pela guerra, o que cria o perigo de desancoragem das expectativas. “A ata dá um tom de que é possível que o banco central americano tenha que subir juros até o final do ano”, avalia.
Por outro lado, o mercado de trabalho norte-americano, que é o segundo mandato do Fed, encontra-se estabilizado e com a taxa de desemprego parada, não sendo atualmente um motivo de preocupação para a autoridade monetária.
Comitê dividido e o “Easing Bias”
Ata do FOMC também revelou um Federal Reserve bastante dividido. William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, destaca que enquanto a maioria votou pela manutenção dos juros, houve um diretor indicado por Donald Trump, Stephen Miran, que defendeu o corte na taxa. Um ponto de grande debate foi o “easing bias” — o viés de que os juros iriam cair. Alguns diretores queriam remover essa sinalização devido ao problema inflacionário, mas o viés acabou sendo mantido.
Alves faz ainda uma ponderação importante: a ata reflete uma decisão tomada antes dos últimos dados de inflação nos EUA, que vieram bastante aquecidos. Além disso, a próxima reunião do Fed já não contará com Jerome Powell na presidência, mas sim com Kevin Warsh. O novo presidente terá o desafio de dialogar com os demais diretores para emplacar sua visão de que os ganhos de produtividade gerados por inteligência artificial poderiam ter um efeito deflacionário na economia.
Reação do mercado ditada por Trump
Apesar de a ata sugerir um cenário negativo para as ações, indicando inflação alta e possibilidade de aumento de juros, o documento não alterou a dinâmica do mercado. Normalmente, a perspectiva de juros mais altos favorece a renda fixa e retira capital da renda variável.
De acordo com Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, os preços de mercado estão sendo ditados pelas declarações de Donald Trump sobre a guerra no Irã. Os investidores estão interpretando que o presidente norte-americano está adotando uma postura de alívio em relação ao país do Oriente Médio, acreditando que a situação será resolvida sem o uso de força.
Como consequência dessa rotação, as ações desvinculadas do setor de óleo e gás operam em alta, enquanto os papéis ligados ao petróleo, como Petrobras e Prio, registram quedas, segundo análise de Mollo.
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