O mês de junho foi o mais chuvoso dos últimos dez anos em Campinas e Piracicaba e, além de aliviar a estiagem, pode ter contribuído para reduzir os casos de doenças respiratórias na região. Segundo especialistas ouvidos pela EPTV, o aumento das chuvas melhora a qualidade do ar ao reduzir a concentração de poeira e poluentes, fatores que costumam agravar quadros de gripe, influenza, alergias e SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave).
De acordo com dados do Ciiagro (Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas), Campinas acumulou 105 milímetros de chuva em junho, enquanto Piracicaba registrou 100,3 milímetros. É o maior volume para o mês na última década. Apenas 2016 apresentou índices superiores, período marcado pela atuação do fenômeno El Niño.
Segundo a meteorologista Ana Ávila, em entrevista à EPTV, a combinação entre frentes frias frequentes e a influência do El Niño favoreceu o elevado volume de precipitação registrado neste ano.
“O ano de 2016 também foi um ano de El Niño. Sempre que o fenômeno está configurado, a tendência é de um período mais chuvoso”, explicou.
Melhora na qualidade do ar
Além do frio e da umidade, a chuva exerce um papel importante na limpeza da atmosfera. Conforme o pneumologista João Carlos de Jesus, do Hospital Vera Cruz, a precipitação remove partículas de poeira e poluentes que permanecem suspensas no ar e funcionam como gatilhos para crises respiratórias.
Quando vem a chuva, ela retira do ar a poluição e as partículas que desencadeiam alergias. Quem tem essa predisposição costuma sentir melhora – afirmou.
Casos diminuíram
Os dados apresentados pela secretaria de Saúde de Campinas mostram queda nas notificações de doenças respiratórias na metrópole.
Os registros de influenza passaram de 126 casos em 2025 para 18 neste ano. Já as notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave caíram de 613 para 126 no mesmo período.
O especialista ressalta, no entanto, que a redução não pode ser atribuída exclusivamente às chuvas. Fatores como a vacinação, a circulação dos vírus e medidas de prevenção também influenciam o comportamento das doenças.
Vacinação continua sendo a principal proteção
Apesar da melhora observada, médicos reforçam que a vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenir casos graves de gripe e outras infecções respiratórias.
A orientação é que a população mantenha a imunização em dia, além de adotar medidas simples, como higienizar as mãos com frequência, manter ambientes ventilados e procurar atendimento médico diante do agravamento dos sintomas.
O principal é a vacinação. Quando estamos vacinados a chance de complicações cai muito. A recomendação é todos se vacinarem, especialmente quem já tem alguma pré-disposição – acrescenta o médico João Carlos.
A preocupação com as doenças respiratórias é compartilhada por famílias como a da pequena Antonella, que tem menos de um ano e precisou ser internada após apresentar complicações respiratórias.
Segundo a mãe, Juliana Gaion, a bebê permaneceu sete dias na UTI ao nascer, passou dois dias utilizando respirador e outros dois em observação até receber alta.
Ela nasceu e foi direto para a UTI, teve que ficar com aparelho no nariz, ficou sete dias lá. Nasceu com problemas respiratórios – conta.

Vai chover em julho?
Depois de uma breve “folga do frio” na última semana de junho, com tardes entre 27°C e 28°C em várias regiões do estado de São Paulo, julho começa com uma nova mudança no tempo. Segundo o Climatempo, duas frentes frias de grande intensidade devem atingir o Brasil ao longo do mês, provocando queda nas temperaturas e chuva em diversas áreas do estado paulista.
Depois de uma breve “folga do frio” na última semana de junho, com tardes entre 27°C e 28°C em várias regiões do estado de São Paulo, julho começa com uma nova mudança no tempo. Segundo o Climatempo, duas frentes frias de grande intensidade devem atingir o Brasil ao longo do mês, provocando queda nas temperaturas e chuva em diversas áreas do estado paulista.
Sistema Cantareira entra em alerta e reduz retirada de água
O Sistema Cantareira, um dos principais mananciais de abastecimento de água do Estado de São Paulo e responsável por atender municípios das bacias PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí), incluindo Campinas, entrou nesta quarta-feira (1º) na Faixa 3 de Alerta. A mudança reduz o volume máximo de água que pode ser retirado pela Sabesp e reforça a necessidade de uso consciente dos recursos hídricos.
A alteração ocorre após o sistema encerrar o mês de junho com 39,8% do volume útil, índice abaixo do limite de 40% previsto nas regras de operação. Já o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que reúne outros reservatórios responsáveis pelo abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, opera com 52,4% da capacidade.
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Com a entrada na Faixa 3, a Sabesp passa a ter autorização para retirar até 27 metros cúbicos de água por segundo (m³/s) do Cantareira. Antes, o limite era de 31 m³/s.
A medida segue a Resolução Conjunta nº 925/2017, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e da SP Águas, que determina restrições graduais conforme o volume armazenado nos reservatórios.

Para minimizar os impactos da redução, a companhia poderá utilizar a água transposta da represa da Usina Hidrelétrica (UHE) Jaguari, localizada na bacia do Rio Paraíba do Sul, respeitando os limites de captação autorizados.
Embora o abastecimento de Campinas seja operado pela Sanasa, o município integra as bacias PCJ, que compartilham parte dos recursos hídricos do Sistema Cantareira.
Isso significa que o nível dos reservatórios influencia a gestão da água em toda a região, especialmente durante os meses de estiagem, quando as chuvas costumam ser menos frequentes.
Apesar da redução na retirada de água pela Sabesp, não há anúncio de impactos imediatos no abastecimento de Campinas.
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