
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, afirmou ao Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que classifica como “movimento criminoso” a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de retirar a “taxa das blusinhas” a cinco meses das eleições, sendo que o tributo foi sancionado pelo próprio governo.
As declarações à reportagem ocorreram durante as agendas do governador em Brasília, nesta quarta-feira, 13, dia seguinte à edição da Medida Provisória que isenta a tributação para compras internacionais de até US$ 50. A nova regra elimina o Imposto de Importação de 20% sobre essas compras, que havia sido aprovado pelo Congresso Nacional sob pressão do varejo nacional e sancionado por Lula em junho de 2024.
Fim da “taxa das blusinhas” foi resposta a “reclamação da sociedade”, diz Marinho
Tributação sobre compras no exterior foi revogada na terça-feira (12), após quase dois anos em vigor
Fim da “taxa das blusinhas”: veja o que muda nas compras internacionais
Governo elimina imposto federal de 20% sobre encomendas de até US$ 50, mas ICMS continua incidindo sobre produtos importados
“O que o Lula fez? Pode entrar, vou fechar os olhos. Não interessa se vou perder empresas ou empregos no Brasil, se vão para o Paraguai. Eu mantive no meu governo a taxa. Quando chegou a cinco meses antes da eleição, eu tiro a taxa. Este movimento é criminoso. Não é tirar ou continuar. Ele quem colocou, foi o governo dele”, disse.
Caiado afirma que a eliminação da taxação ajuda Lula eleitoralmente, mas prejudica pequenas confecções após o governo ter, na sua visão, induzido empreendedores locais a realizarem investimentos no setor. “Mais um golpe do Lula em cima das pessoas que acreditaram que poderiam investir na parte de confecção”, avalia.
O pré-candidato continua: “É lógico que você está atendendo muito mais pessoas, mas você está asfixiando um setor que tem um grande componente social, que são as pequenas confecções no interior do País, onde grande parte do mercado se dá na comercialização desses produtos. São cidades que se especializam nisso.”
Para o ex-governador, o alto índice de endividamento no País é um agravante. “Ele induziu as pessoas a investirem. As pessoas estão todas endividadas e montaram as confecções. De repente, agora, ele libera (a isenção para compras internacionais) até US$ 50. Então, ele não tem nenhuma responsabilidade com o setor produtivo nacional”, afirma.
Caiado admite que a retirada da taxa deve ajudar Lula, mas aponta como consequência a migração de empresas brasileiras para o exterior, em busca de melhores condições para produzir. O ex-governador diz ver risco de “concorrência desleal e predatória” com a China, país que “não tem legislação trabalhista e não tem regra tributária”, afirma.
“Lógico que ajuda. Tem muito mais gente hoje que compra (produtos internacionais) até US$ 50 do que pessoas fazendo confecção no Brasil. A longo prazo, você está fazendo um processo de migração de empresas para o Paraguai”, declarou. “A política do Lula é exportadora de empresas e de mão de obra”, acrescenta.
Conforme mostrou o Broadcast Político, entidades como a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX) disse repudiar com “veemência” a publicação da Medida Provisória e declarou ver com urgência a adoção de compensações para as empresas brasileiras. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também se manifestou contra a decisão de Lula e disse que o fim da “taxa das blusinhas” prejudica quem fabrica e comercializa no Brasil.
The post Ronaldo Caiado: ‘Botar e tirar’ taxa das blusinhas é ‘movimento criminoso’ de Lula appeared first on InfoMoney.
