Diz o ditado popular, sem autor atribuído, que “tamanho não é documento”. Ele se refere ao fato de que a qualidade ou capacidade de algo não está diretamente ligada a suas dimensões. E isso cabe perfeitamente ao GR Yaris, o menor modelo da Gazoo Racing, linha esportiva da Toyota. O hatch tem conjunto mecânico de “gente grande” em uma carroceria compacta, de duas portas, e é capaz de arrancar sorrisos dos amantes de esportivos, por quem era aguardado no Brasil há anos.
Agora, ele estreia por aqui em duas configurações, com câmbio manual ou automático, mas pelo mesmo preço: R$ 354.990 – a previsão é de que sejam importadas 99 unidades de cada uma por ano. Em primeira mão e com exclusividade, levamos a versão automática para a nossa pista.
Sem relações com o Yaris vendido no Brasil até 2025 e, tampouco, com o atual Yaris Cross produzido por aqui, o GR Yaris é baseado no modelo europeu. Por isso, tem identidade visual diferente e mais moderna, com traços mais fluidos e volumes arredondados. Mas o jeito carismático do hatch original dá lugar a uma caracterização mais “nervosa”, com elementos exclusivos para a versão GR.
A dianteira mantém os faróis afilados e full-led automáticos, mas adota um para-choque com recortes mais retos, bem como aberturas grandes e grades de trama vazada para dar conta do arrefecimento do motor.

De lado, as dimensões compactas ficam evidentes: o hatch tem 4 m de comprimento, 1,46 m de altura, 1,81 m de largura e 2,56 m de entre-eixos. Chamam a atenção os para-lamas alargados, em especial o traseiro, e as rodas de 18” forjadas, com pneus 225/40. A traseira tem grandes lanternas que atravessam a tampa do porta-malas (em plástico para redução de peso) e duas saídas de escape, posicionadas entre um difusor de ar na base do para-choque.
O interior, por sua vez, parece seguir uma linha em comum com os demais Yaris citados. Em todos, a cabine sempre se mostrou antiquada, e não é diferente no GR Yaris, que destoa do belo visual externo. O que mais causa estranheza é o painel, vertical e levemente curvado, que remete aos ônibus mais antigos. Teria sido melhor compartilhar o painel com o modelo convencional, de quatro portas.

O acabamento é simples, embora alguns plásticos tenham textura emborrachada, mas há motivos. Além de ser um modelo de entrada, faz economias para ficar mais leve, e ter um isolamento acústico menos eficiente implica em melhorar a experiência sonora a bordo. E faz diferença. Os bancos assumem um protagonismo por serem bonitos e encorpados, com largas abas laterais e bons apoios de ombros. Além disso, são revestidos de material sintético e camurça, mas os ajustes são sempre manuais.
Ele é homologado para levar quatro pessoas, sendo que os dois ocupantes traseiros vão apertados. O porta-malas leva apenas 174 litros. Mas convenhamos: ele nasceu para ser esportivo, e não espaçoso.

A lista de equipamentos do compacto é boa. De série, há quadro de instrumentos de 12,3” (o mesmo do GR Corolla, com excelente riqueza de informações), central multimídia de 8” com Android Auto e Apple CarPlay sem fio (embora o sistema seja ultrapassado), faróis com fachos baixo e alto automáticos, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, câmera de ré, ar digital bizona e som com oito alto-falantes.
Na segurança, há seis airbags, ACC, frenagem de emergência, alerta de ponto cego e assistente de partida em rampa. A versão automática não tem alerta de tráfego cruzado traseiro e sistema de punta-tacco automático, presentes na configuração manual.

O GR Yaris não compartilha apenas itens como rodas, volante, bancos e quadro de instrumentos com o GR Corolla. O menor também empresta (já que nasceu antes) o conjunto mecânico. Ou seja, debaixo deste pequeno capô está um motor 1.6 turbo de três cilindros a gasolina com 304 cv e 40,8 kgfm – mesma potência, mas mais torque em relação aos 37,7 kgfm do Corolla.
Ou seja, mais força movimenta o modelo que pesa só 1.305 kg. A relação peso/potência é de apenas 4,29 kg/cv. O câmbio automático da unidade testada tem oito marchas, com possibilidade de trocas manuais na alavanca ou nas aletas atrás do volante.

A tração é integral, como bem denunciam as inscrições “GR-FOUR” na traseira e por trás da grade inferior dianteira. Mas é possível escolher, por meio de um seletor giratório no console central, entre três modos de distribuição de força, para se ter a mais adequada ao momento.
O modo Normal divide o torque na razão de 60:40 (dianteira/traseira), ideal para o dia a dia; o Track é continuamente variável e envia entre 30 e 70% para as rodas traseiras, ideal para as pistas; o Gravel, também para circuitos, estabelece uma proporção 53:47, mais equilibrada.

Além dos modos de tração, há ainda os de condução, Normal, Eco, Sport e Custom, que alteram parâmetros do veículo (como câmbio, acelerador, motor e escapamento) de acordo com cada padrão selecionado. Ou seja, é um esportivo para diversos tipos de usos, do dia a dia aos circuitos mais desafiadores.
O contato com o GR Yaris foi curto, apenas em nossa pista de testes e, posteriormente, em um autódromo para uma condução mais esportiva, onde ele fica muito à vontade. Em todas as situações, o hatch segue firme e estável, independentemente do modo de tração selecionado, contornando curvas com voracidade e como se estivesse sobre trilhos. Vale lembrar que o GR Yaris é um campeão do WRC, mesmo com poucas alterações mecânicas.

Além disso, o câmbio automático passa longe de tirar a emoção do modelo. Pelo contrário: mantém elevada a diversão, mas com um maior equilíbrio nas entregas de potência e torque, e mais conforto. Suas trocas são rápidas e certeiras.
Como esperado, as acelerações são rápidas e acompanhadas de um ronco tão encorpado que nem parece vir de um motor de três cilindros. Nos nossos testes, o GR foi de 0 a 100 km/h em 5,8 s, número de um legítimo esportivo. As retomadas também surpreenderam graças à agilidade do câmbio automático: ele levou 2,6 s para ir de 40 para 80 km/h; 2,8 s de 60 para 100 km/h; e, por fim, 3,4 s para retomar de 80 a 120 km/h.

Seu “irmão”, o GR Corolla, levou 5,4 s de 0 a 100 km/h, um pouco mais rápido, mesmo mais pesado e com menos torque. As retomadas foram mais lentas, levando 3,7 s, 4,6 s e 6 s, respectivamente.
Na hora de parar, faltou um pouco mais de ímpeto ao sistema de freios, que conta com discos ventilados nas quatro rodas. Vindo a 120 km/h, o GR percorreu 52,9 m, distância maior que a de um SUV compacto como o Honda WR-V, que precisou de 51,5 m para parar, na mesma prova.

Por fim, o Yaris se saiu bem nas medições de consumo. Em nossos ciclos, o compacto fez 8,2 km/l na cidade e 12,2 km/l na estrada. São marcas que encorajam o proprietário a utilizar o esportivo no dia a dia.
O GR Yaris foi pedido e aguardado por muito tempo no Brasil, e chega com preço atraente e uma mecânica para não se colocar defeito.
Veredicto – O GR Yaris estreia após um tempo de pedidos do público, mas faz valer a espera. Tem desempenho afiado, mesmo automático, e empolga como rivais mais caros.

Ficha Técnica – GR Yaris automático
Motor: gasolina, diant., 3 cil., turbo, 12V, 1.539 cm³, 304 cv a 6.500 rpm, 40,8 kgfm a 3.250 rpm
Câmbio: aut., 8 marchas, tração integral
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (diant.), duplo A (tras.)
Freios: disco ventilado nas quatro rodas
Pneus: 225/40 R18
Dimensões: compr., 399,5 cm; larg., 180,5 cm; alt., 145,5 cm; entre-eixos, 256 cm; porta-malas, 174 l; peso, 1.305 kg; vão livre do solo, 124 mm; tanque de combustível, 50 litros
Teste Quatro Rodas – GR Yaris automático
| Aceleração | |
| 0 a 100 km/h | 5,8 s |
| 0 a 1.000 m | 25,5 / 210,1 km/h |
| Velocidade máxima* | n/d |
| Retomadas | |
| D 40 a 80 km/h | 2,6 s |
| D 60 a 100 km/h | 2,8 s |
| D 80 a 120 km/h | 3,4 s |
| Frenagens | |
| 60/80/120 km/h a 0 | 13,5/23,5/52,9 m |
| Consumo | |
| Urbano | 8,2 km/l |
| Rodoviário | 12,2 km/l |
| Ruído interno | |
| Neutro/RPM máx. | 47,5 / 77 dBA |
| 80/120 km/h | 68,3 / 72,5 dBA |
| Aferição | |
| Velocidade real a 100 km/h | 96 km/h |
| Rotação do motor a 100 km/h | 1.800 rpm |
| Volante | 2 voltas |
| SEU Bolso | |
| Preço básico | R$ 354.990 |
| Garantia | 10 anos |
Condições de teste: alt. 660 m; temp., 31 °C; umid. relat., 50%; press., 756 mmHg. Realizado no ZF Campo de Provas.
*Dado de fábrica

















