Estudantes da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) aprovaram greve em diversos cursos da universidade, em meio às mobilizações que também atingem a USP (Universidade de São Paulo) e a Unesp (Universidade Estadual Paulista). Até esta quinta-feira (14), ao menos 20 centros acadêmicos da Unicamp já haviam aderido à paralisação, segundo o DCE (Diretório Central dos Estudantes).
As assembleias para definir a adesão começaram na última quarta-feira (7), e outros seis centros acadêmicos da graduação ainda devem realizar reuniões ao longo do dia para deliberar sobre a entrada no movimento.
A Reitoria da Unicamp informou que mantém diálogo contínuo com as entidades estudantis e direções das unidades, reafirmando o compromisso com a busca de soluções consensuais (confira a nota completa abaixo).
Além dos estudantes, o STU (Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp) também aderiu à greve, com impactos em setores administrativos, institutos, bibliotecas e hospitais universitários.
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Qual o motivo da greve?
De acordo com o movimento estudantil, a greve busca garantir “dignidade para morar, estudar e trabalhar”. Entre as principais reivindicações apresentadas pelos estudantes estão:
- Bolsas e ações para garantir permanência
- Melhorias no transporte dentro e entre os campi
- Acesso a serviços de saúde especializada e mental
- Implantação do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVES) em Limeira (já existente em Campinas)
- Espaço físico para centros acadêmicos e diretórios
- Fim da terceirização de serviços
- Contra a autarquização do Hospital de Clínicas
Segundo representantes do DCE, a paralisação só deve ser encerrada após uma resposta direta da universidade sobre as oito pautas apresentadas, principalmente as relacionadas à moradia estudantil e à permanência universitária.
Cursos de Campinas aderem à paralisação
Segundo o DCE, os cursos que aprovaram greve no campus de Campinas são:
- Arquitetura
- Licenciatura Integrada de Química e Física
- Engenharia de alimentos
- Midialogia, Música, Cênicas, Dança e Visuais
- Biologia
- Farmácia
- Geologia e Geografia
- Engenharia de Controle e Automação
- Fonoaudiologia
- Economia
- Ciências Sociais e História
- Profis
- Engenharia Mecânica
- Pedagogia
- Química
- Letras, Linguística e Estudos Literários
- Medicina
- Computação
- Física/Cursão
- Filosofia
No campus de Limeira, estudantes da FCA (Faculdade de Ciências Aplicadas) e da FT (Faculdade de Tecnologia) também aderiram à greve. Segundo o movimento estudantil, cerca de 3 mil alunos suspenderam as aulas na semana passada.
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O que diz a Reitoria da Unicamp
Em nota, a Reitoria da Unicamp informou que mantém diálogo contínuo com as entidades estudantis e as direções das unidades do campus de Limeira (FCA/FT), reafirmando o compromisso com a busca de soluções consensuais.
“A Administração Central prioriza o aprimoramento das políticas de permanência — incluindo moradia, transporte e auxílios — por entender que o suporte ao estudante é fundamental para a manutenção da excelência e da qualidade do ensino que caracterizam a instituição. Estudos contínuos seguem em pauta para viabilizar melhorias no âmbito das possibilidades orçamentárias.
A Reitoria reitera que valoriza o ambiente acadêmico, prezando pela segurança jurídica e pelo desenvolvimento das atividades com o rigor técnico e pedagógico necessários à formação de seus alunos”.
Sindicato dos trabalhadores também aderiu à greve
O Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp informou que a paralisação já afeta 23 setores da universidade. Segundo a entidade, os impactos atingem:
- Faculdade de Ciências Médicas
- Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
- Faculdade de Engenharia de Alimentos
- Instituto de Biologia
- Instituto de Geociências
- Instituto de Física Gleb Wataghin
- Faculdade de Ciências Aplicadas (Limeira)
- Faculdade de Enfermagem
- Divisão de Educação Infantil
- Diretoria Geral de Administração
- Instituto de Computação
- Biblioteca Central
- Instituto de Química
- Centro de Engenharia Biomédica
- Hospital de Clínicas e Hospital da Mulher (começando a aderir)
- Cotuca (Colégio Técnico de Campinas)
- Faculdade de Educação
- Instituto de Artes
- Diretoria Acadêmica
- Siarq (Sistema de Arquivos)
- Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica
- Secretaria Executiva de Comunicação
- Cocen (Centros e Núcleos)

(Foto: Johnny Inselsperger/EPTV)
Segundo o STU, as entidades ligadas às três universidades estaduais paulistas apresentaram 13 pautas para a campanha salarial de 2026. Entre elas estão:
- Reajuste salarial de 15,97% para recompor perdas desde maio de 2012, além da reposição da inflação de 2025/2026;
- Valorização dos salários iniciais das carreiras técnico-administrativas e docentes;
- Garantia de isonomia salarial entre técnicos, docentes e servidores do Ceeteps;
- Destinação de 8,64% da Receita Tributária Líquida do Estado para USP, Unesp e Unicamp;
- Contratações por concurso público e reposições de vagas;
- Reversão de contratos terceirizados;
- Redução da jornada para 30 horas semanais (técnicos e saúde), sem corte salarial;
- Fim do ponto eletrônico e condições dignas de trabalho;
- Defesa da aposentadoria pública e fim da contribuição de aposentados;
- Hospitais universitários 100% públicos e Serviço Único de Saúde (SUS);
- Ampliação das políticas de permanência estudantil, como bolsas e moradia;
- Combate a assédios e violência institucional, com protocolos efetivos;
- Defesa da autonomia universitária e democracia interna.
Também foram incluídas reivindicações emergenciais relacionadas a vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-saúde, progressões e pagamento de retroativos, no movimento chamado “Descongela Já”.
Protesto travou trânsito no entorno da universidade
Na quarta-feira (13), um protesto organizado pelo STU bloqueou a rotatória de acesso ao campus pela Avenida Guilherme Campos, em Campinas.
A manifestação provocou congestionamento em importantes vias da região durante a manhã (saiba mais aqui).

(Foto: Reprodução/EPTV)
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Nova rodada de negociação acontece em São Paulo
Representantes do Fórum das Seis participam nesta quinta-feira (14) de uma nova tentativa de negociação com o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas), em São Paulo.
Em nota, a Reitoria da Unicamp afirmou que as negociações seguem em andamento e reiterou o compromisso da universidade com um diálogo transparente e construtivo.
“A Reitoria da Unicamp informa que as negociações com as lideranças do Fórum das Seis seguem em curso, reafirmando o compromisso da Universidade com o diálogo transparente e construtivo.
Neste sentido, comunicamos que um novo encontro entre os representantes do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e das entidades sindicais será realizado na próxima quinta-feira, dia 14 de maio, em São Paulo.
A Unicamp reitera que preserva e respeita os princípios fundamentais da democracia e do debate institucional. Informamos ainda que as atividades essenciais da Universidade transcorrem normalmente.
A Reitoria permanecerá empenhada no processo de negociação, buscando garantir que o desfecho seja o melhor possível para a preservação das atividades acadêmicas e para o conjunto da comunidade universitária”.
USP e Unesp também registram mobilizações
Na USP, a greve estudantil começou em 14 de abril e chegou a atingir mais de 100 cursos, incluindo a Escola Politécnica, tradicionalmente resistente a paralisações.
O movimento ocorreu paralelamente à greve dos servidores técnico-administrativos, encerrada em 24 de abril após acordo com a reitoria.
O momento de maior tensão aconteceu em 7 de maio, quando estudantes ocuparam o prédio da reitoria no campus Butantã.
Já na Unesp de Bauru, estudantes iniciaram paralisação nesta terça-feira (12), acompanhando as mobilizações registradas em outras unidades da USP, Unicamp e Unesp em todo o estado.
Entre as reivindicações comuns às três universidades estaduais paulistas estão o aumento dos investimentos em permanência estudantil, ampliação da moradia universitária e melhorias na alimentação oferecida aos alunos.
*Com informações da EPTV Campinas
O post Greve na Unicamp: estudantes paralisam cursos e cobram moradia, bolsas e fim da terceirização apareceu primeiro em ACidade ON Campinas.
