A bactéria Pseudomonas aeruginosa, que está no centro das investigações da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) envolvendo produtos da Ypê, já provocou uma grave infecção em uma moradora da região de Campinas há mais de dez anos. Vale ressaltar que este caso não tem nenhuma relação com os itens produzidos na fábrica de Amparo e que foram suspensos no último dia 07 pela Anvisa.
Maria Lúcia Silvestre, moradora de Limeira, conta que enfrentou uma infecção causada pela bactéria e precisou passar por tratamento médico. Ela suspeita que o microrganismo tenha sido levado para dentro de casa de forma involuntária por um enfermeiro que trabalhava na casa da família e em hospital.
O enfermeiro vinha na minha casa todo dia e um dia passei mal, queimava o corpo, ficou vermelho onde eu tomava a injeção. Eu fiquei internada, assustei, não sabia o porquê e a medica me explicou. A médica falou que possivelmente é do hospital.
A Pseudomonas aeruginosa é considerada um microrganismo comum e pode ser encontrada em hospitais, água, solo, ar e até mesmo na pele de pessoas saudáveis. Apesar disso, em determinadas situações, especialmente em ambientes hospitalares ou em pessoas imunossuprimidas, a bactéria pode causar infecções graves.
O problema dela é que ele tem uma capacidade de ser resistente a antibióticos. Ela é capaz de se proteger de desinfetantes. Encontram-se esse conjunto de bactérias principalmente em hospitais, casas de repouso e podem causar situações de risco – ,explica o infectologista André Ribas
Reunião entre Ypê e Anvisa nesta quinta-feira
A Anvisa e a Ypê se reuniram nesta quinta-feira (14) para discutir um novo plano de ações relacionado ao cumprimento de normas sanitárias na fábrica da empresa, em Amparo. Há uma semana, a agência determinou a suspensão da fabricação, distribuição e venda de 23 produtos da marca, entre detergentes, desinfetantes e lava-roupas líquidos, após apontar risco de contaminação microbiológica.
Segundo a Anvisa, a medida não foi tomada apenas pela identificação da bactéria em mais de 100 lotes de produtos acabados, mas também por um conjunto de irregularidades consideradas graves durante inspeção sanitária realizada na fábrica em Amparo.
Entre os problemas apontados pela agência estão falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade, além de descumprimentos em etapas críticas do processo produtivo.
De acordo com o órgão, os problemas identificados comprometem requisitos essenciais de boas práticas de fabricação e podem representar risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de contaminação microbiológica.
A orientação da Anvisa segue mantida: consumidores devem suspender o uso dos produtos listados na resolução cujos lotes terminem em “1” e aguardar novas orientações sobre eventual recolhimento.
A reunião que definiria o futuro da suspensão dos produtos da Ypê estava prevista inicialmente para quarta-feira, mas foi adiada. Agora, a análise pela diretoria colegiada da Anvisa está marcada para esta sexta-feira (15), às 9h30, em Brasília.
A Ypê informou anteriormente que apresentou documentos técnicos e atualizações de seu plano de ação à Anvisa, mas não comentou especificamente sobre a reunião desta quinta-feira.
Ypê apresentou laudos à Anvisa após identificação de bactéria em mais de 100 lotes
A Ypê informou que apresentou à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informações detalhadas e laudos técnicos de microbiologia após a agência confirmar a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.
Segundo a empresa, os documentos incluem verificações realizadas nos processos produtivos e análises de risco ao consumidor.
Esta é a primeira vez que a Anvisa confirma oficialmente a identificação da bactéria em lotes da fabricante Ypê. Até então, a própria empresa havia informado ter detectado o microrganismo em lotes de lava-roupas, em novembro de 2025.
A constatação integra as conclusões de uma inspeção conjunta realizada no fim de abril pela Anvisa, pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e pela Vigilância Sanitária Municipal de Amparo, onde fica a unidade da Química Amparo, responsável pelos produtos da marca.
Durante a fiscalização, os órgãos identificaram 76 irregularidades. Entre os problemas apontados estão falhas relacionadas à qualidade microbiológica e deficiências no controle de materiais de embalagem.
Em nota, a empresa afirmou que participou de uma reunião com representantes da Anvisa na terça-feira (12), quando apresentou uma atualização do plano de ação e detalhou mudanças implementadas no processo fabril.
“A Ypê reafirma sua observância integral às recomendações pontuadas pela Anvisa”, informou a companhia.
A fabricante também solicitou à Diretoria Colegiada da agência a manutenção dos efeitos do recurso que suspendeu a resolução RE 1.834/2026, responsável por determinar a suspensão da fabricação e o recolhimento dos produtos.
O julgamento do recurso, que estava previsto para esta quarta-feira (13), foi retirado da pauta da Anvisa. O caso deve voltar à análise da diretoria na sexta-feira (15), às 9h30.
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Inspeção encontrou dezenas de irregularidades
De acordo com a Anvisa, uma inspeção realizada no dia 7 de maio identificou 76 irregularidades na unidade da empresa, localizada em Amparo. A fiscalização contou com equipes da vigilância sanitária estadual e municipal.
Entre os principais problemas apontados estão falhas consideradas graves relacionadas à qualidade microbiológica dos produtos, além da identificação de contaminação em mais de 100 lotes fabricados pela empresa.
A agência também informou que encontrou ineficiência no controle de materiais embalados durante a vistoria.
Empresa deve apresentar medidas corretivas
Ainda segundo Safatle, a empresa deverá apresentar nesta quinta-feira (14) as medidas adotadas para corrigir os problemas identificados pela fiscalização.
“A empresa apresentou os investimentos já realizados, intensificou os esforços para adequação das irregularidades e se comprometeu a apresentar medidas para a correção dessas ações”, explicou o diretor-presidente da Anvisa.
Enquanto isso, a recomendação da Anvisa é para que consumidores não utilizem os produtos dos lotes informados pela resolução e entrem em contato com o serviço de atendimento da fabricante para orientações sobre troca ou recolhimento.
Sobre o caso
A decisão contestada pela Química Amparo prevê a suspensão da fabricação e o recolhimento de determinados lotes de produtos da marca Ypê, após suspeitas de contaminação e problemas de controle de qualidade.
Uma equipe de reportagem da EPTV entrou na fábrica na tarde desta segunda-feira (11), cinco dias após a suspensão. Durante uma visita monitorada, a fabricante apresentou mudanças e adequações realizadas nas áreas inspecionadas pela agência sanitária – veja o antes e depois abaixo.
A visita ocorreu um dia depois do “Fantástico” (EPTV/TV Globo) revelar detalhes da inspeção que identificou equipamentos com sinais de corrosão e “descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo”.
Produção segue parada
A empresa chegou a conseguir a suspensão da decisão da Anvisa após apresentar recurso, mas optou por manter a produção interrompida para acelerar a implementação das medidas exigidas pela agência.
Segundo Eduardo Beira, diretor executivo de operações da Ypê, cerca de 400 funcionários atuam nos três turnos das plantas atingidas pela determinação.

O que apontou a fiscalização?
O relatório da inspeção sanitária apontou sinais de corrosão em equipamentos usados na fabricação de detergentes e lava-roupas líquidos.
O documento também destacou problemas no estado de conservação do tanque utilizado na manipulação de produtos para lavar louças.

Ainda segundo os fiscais, foram encontrados restos de produtos armazenados e devolvidos às linhas de envase na mesma unidade industrial.
Veja antes e depois


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O que a Anvisa recomenda?
De acordo com a Anvisa, os produtos contaminados já foram recolhidos em novembro de 2025 e neste momento não há indícios de que outros itens tenham sido contaminados. Porém, o órgão determinou a suspensão porque considera que a fábrica da Ypê não respeita as exigências necessárias para evitar que ocorram novas contaminações.

A Anvisa orienta que consumidores que tenham em casa produtos dos lotes citados suspendam imediatamente o uso e entrem em contato com o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) da empresa para obter informações sobre o procedimento de recolhimento.
Quais produtos foram listados?
Lava-louças
- Lava-louças com Enzimas Ativas
- Lava-louças
- Lava-louças Clear Care
- Lava-louças Toque Suave
- Lava-louças Concentrado Green
- Lava-louças Clear
- Lava-louças Green
Lava-roupas
- Lava-roupas Líquido Tixan Combate Mau Odor
- Lava-roupas Líquido Tixan Cuida das Roupas
- Lava-roupas Líquido Tixan Antibac
- Lava-roupas Líquido Tixan Coco e Baunilha
- Lava-roupas Líquido Tixan Green
- Lava-roupas Líquido Express
- Lava-roupas Líquido Power Act
- Lava-roupas Líquido Premium
- Lava-roupas Tixan Maciez
- Lava-roupas Tixan Primavera
- Lava-roupas Tixan Power Act
Desinfetantes
- Desinfetante Bak
- Desinfetante de Uso Geral Atol
- Desinfetante Perfumado Atol
- Desinfetante Pinho
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