Campinas registrou, em média, 32,7 mil flagrantes por mês de motociclistas escondendo a placa de motos entre janeiro e junho deste ano. Ao todo, foram 196,2 mil imagens da infração conhecida como “mão na placa”, segundo a Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas), responsável pela gestão da fiscalização eletrônica no município.
A prática é usada por motociclistas para dificultar a identificação do veículo e tentar escapar de multas por excesso de velocidade e avanço de sinal vermelho. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, conduzir veículo com a placa sem condições de visibilidade é uma infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH.
Segundo a empresa, além de encobrir a placa, os flagrantes mostram condutas de alto risco, como circulação em alta velocidade, desrespeito à sinalização e até uso indevido do corredor exclusivo do BRT, colocando pedestres e outros motoristas em perigo.
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A empresa explica que as infrações registradas pelos radares acabam sendo invalidadas quando não é possível identificar a placa do veículo. Também destaca que o mesmo motociclista pode aparecer mais de uma vez na contagem, já que a prática costuma se repetir em diferentes pontos monitorados da cidade.
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Flagrantes ocorreram em avenidas de grande movimento em Campinas
Somente neste mês de julho, a irregularidade foi registrada em avenidas importantes de Campinas, como John Boyd Dunlop, Ruy Rodriguez, Piracicaba, José de Souza Campos (Norte-Sul) e Marechal Rondon. Em alguns casos, os motociclistas passam no sinal vermelho e seguem pela faixa exclusiva do BRT logo após a travessia de pedestres, o que eleva o risco de atropelamentos.
Segundo a Emdec, os dados chamam atenção porque os motociclistas seguem entre as principais vítimas do trânsito em Campinas. Até maio de 2026, das 15 mortes registradas nas vias da cidade, 10 foram de motociclistas ou garupas, o que representa 67% do total.
Número de flagrantes de placas cobertas caiu 39% em relação ao ano passado
Apesar do volume alto de ocorrências, Campinas teve queda de 39% nos flagrantes de “mão na placa” na comparação com o mesmo período de 2025.
Entre janeiro e junho do ano passado, foram 323,7 mil imagens da irregularidade, média de 53,9 mil por mês. Em todo o ano de 2025, o total chegou a 592,7 mil registros, o equivalente a 49,4 mil por mês.
Segundo a Emdec, a diminuição dos flagrantes está relacionada ao reforço das ações de fiscalização presencial e remota em Campinas.
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Entre as medidas adotadas estão o remanejamento de radares em corredores considerados críticos, principalmente nas avenidas Ruy Rodriguez e John Boyd Dunlop; a ampliação das blitze integradas, que já somaram 124 operações em 2026 com mais de 4,5 mil condutas de risco identificadas; e o avanço da fiscalização por câmeras, que conta atualmente com 19 pontos ativos e flagrou 14,8 mil irregularidades no primeiro semestre.
A Emdec também alerta que os comportamentos normalmente associados à “mão na placa” estão entre os que mais causam mortes no trânsito de Campinas.
Dos sete casos fatais já analisados em 2026, um teve relação com excesso de velocidade. Em 2025, esse foi o principal fator de risco para mortes no trânsito campineiro, com 50 vítimas. Já o avanço de sinal vermelho esteve ligado a quatro mortes no ano passado, sendo três delas de passageiros ou garupas de motos.

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